18/02/09

Infância...




Hoje lembrei-me de uma história engraçada da minha infância relacionada com bonecas.

Menina como era, as minhas prendas e brincadeiras favoritas eram as Barbies e os Ken, as filhas da Barbie, mais as amigas todas dela (eu devia ter umas 10 "amigas"). Enfim, aquilo eram histórias de divórcios, de violência doméstica, actrizes mal sucedidas, bailarinas aleijadas, autênticas histórias de faca e alguidar, dignas de novelas da vida real.

Quando eu tive a minha primeira Barbie, por volta dos seis anos, ela era a minha riqueza. Loura, com um fato de banho rosa choque, com os cabelos até à cintura, eu passava horas a penteá-la e a inventar histórias solitárias, em que lhe fazia a cama com os lenços de pano da minha mãe e jóias da minha irmã. Certo dia decidi levá-la a passear, não sei como aconteceu, mas acabei por perdê-la. Chorei dias a fio, só de pensar que ela estaria só e abandonada e que nada poderia fazer para reavê-la.

Para mim aquelas bonecas com corpo de modelo sempre foram parte importante da minha vida, ou melhor, da minha infância.

Mas nesse meu mundinho de criança eterna, as Barbies conectavam-me com esse mundo mais menina, faziam-me sonhar. Incentivaram a minha imaginação a funcionar a mil à hora, cada vez que a Barbie bailarina beijava o Ken com a sua roupa sexy de praia. E no fim do dia, os dois partiam no seu Ferrari vermelho para o seu destino, vivendo felizes para sempre.

Dispendia horas a criar casas, restaurantes, escritórios, discotecas, casas de amigas e só depois iniciava a brincadeira. Normalmente quando estava na hora de começar a brincar, já a minha mãe estava a chamar para jantar, lá voltava tudo rapidamente para dentro da caixa, porque no dia a seguir um novo capítulo começava.

Naquela altura, zangava-me muito com a minha irmã, porque ela tinha uma capacidade criativa superior à minha, tornava um simples lenço da minha mãe num vestido de haute-couture. Por isso, assim que percebia que estava a ser passada para trás a brincadeira acabava rapidamente.

Algo que nunca quis foi ser mãe delas, sempre achei que elas poderiam ter vida própria e ser mulheres profissionalmente bem sucedidas com aptidão para escolherem o homem certo.

Hoje, tornei-me essa pessoa sonhadora e idealista, que vive com a cabeça no mundo da lua 24 horas por dia, sete dias por semana, e que imagina situações inacreditáveis graças a essas bonecas.

Um dia disseram-me que os adultos eram tristes por não se lembrarem da criança que um dia foram. Que eles são tristes por não sonharem.

E eu nesse meu mundo colorido, vejo as cores esvaírem-se cada vez mais.

E eu não quero que isso aconteça. Aliás, acho que ninguém deveria deixar isso acontecer.

A única solução que vejo para nos impedir de parar de sonhar é continuar a recordar.

Recordar a infância, as brincadeiras e os amigos. Fazer brincadeiras de vez em quando, brincar com as Barbies escondidas no fundo da gaveta, passar a criança que vive no nosso interior para os nossos filhos, sem deixar que ela fuja completamente de nós.

5 comentários:

Carla por dentro disse...

Velhos tempos...
Faziamos o festival da canção onde as barbies desfilavam num mundo de fantasia...No fundo era o que queriamos ser: bonitas, com exito e amadas pelo principe do Ferrari vermelho...
E ao sonhar assim fomos felizes! Veleu a pena partilhar isso contigo, porque ao sermos duas a sonhar a força de concretizar estava mais perto. E sabes o que concretizamos? A amizade que será eterna...Um beijo muito grande :)

Anabela disse...

Cada vez me pasmo mais com os fios das várias meadas que finalizam neste novelo em que se torna a nossa vida, depois de tanta coisa porque passamos deveriamos ficar menos desconcertados, mas eu continuo a achar que são sempre surpreendentes as várias formas com que somos presenteados na vida e as "coincidências" que nos vão assaltando. Hoje por "coincidência" encontrei alguém que te é muito próximo :) , quando vinha no carro sózinha dou por mim a relembrar-te: a menina dos papelotes!... Eras uma princesa, saída das mãos de outras princesas, linda, luminosa e muito muito boneca... como o tempo passa! ... continuas linda, mais rainha que princesa, e de boneca só tens mesmo o ar, porque te tornaste numa verdadeira MULHER! Vim visitar o teu blog e ... "coincidência" aqui estás tu a falar da tua infância:)
São as felizes "coincidências" da vida.
Gosto muito de ti miúda, boneca, mulher.

Só mais uma coisa: Sê sempre insatisfeita... a vida é MUITA para sermos meros seres conformados!

Anabela disse...

Cada vez me pasmo mais com os fios das várias meadas que finalizam neste novelo em que se torna a nossa vida, depois de tanta coisa porque passamos deveriamos ficar menos desconcertados, mas eu continuo a achar que são sempre surpreendentes as várias formas com que somos presenteados na vida e as "coincidências" que nos vão assaltando. Hoje por "coincidência" encontrei alguém que te é muito próximo :) , quando vinha no carro sózinha dou por mim a relembrar-te: a menina dos papelotes!... Eras uma princesa, saída das mãos de outras princesas, linda, luminosa e muito muito boneca... como o tempo passa! ... continuas linda, mais rainha que princesa, e de boneca só tens mesmo o ar, porque te tornaste numa verdadeira MULHER! Vim visitar o teu blog e ... "coincidência" aqui estás tu a falar da tua infância:)
São as felizes "coincidências" da vida.
Gosto mt de ti miúda, boneca, mulher.

Só mais uma coisa: Sê sempre insatisfeita... a vida é MUITA para sermos meros seres conformados!

Um beijo
Anabela

Mundo encantado... disse...

espectaculo tia :)

Mundo encantado... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.