09/03/09

Cartas...


Todos nós temos cartas que nunca escrevemos, cartas que nunca enviámos, cartas que nunca deitámos fora...

Cartas de Amor! Cartas, onde a escrita desvanecia um pouco a distância, em que a paixão falava mais alto e, as palavras, se soltavam ao correr da pena, ao sabor do vento.

Versos que se escreviam, emoções sentidas, lágrimas vertidas.

As cartas são marcas que deixamos para toda a vida, são testemunhos que passam de gerações em gerações.

São cicatrizes que ficam para sempre gravadas na pele.

Através das cartas tornamo-nos desejo incorpóreo, tornamo-nos apenas cérebros, dedos, imaginação e poder de manipular quem se seduz pelas palavras.

Voltamos a séculos passados, em que prevalecia o poder da escrita, o poder da sedução através de uma folha de papel e um borrão de tinta.

As palavras podem ser falaciosas. Somos frequentemente julgados por palavras que dizemos e por outras que não chegamos a dizer...

Tenho a certeza que muitas das cartas que recebi não disseram tudo o que queriam dizer e não sentiram tudo o que sentiam...

Muitas delas demonstraram receio de dizer a verdade e de serem incompreendidas.

A verdade é que tudo o que escrevemos jamais poderá ser apagado, aconteça o que acontecer...

3 comentários:

Carla por dentro disse...

Já tocava a canção:
Cartas de amor quem as não tem?
As cartas tal como as pessoas não dizem nem sentem tudo...
Mas deixam-nos a sonhar com o que ainda pode ser dito pessoalmente! :)

*flor* disse...

Para se conseguir sentir uma carta de amor é preciso saber ler nas entrelinhas. As palavras deixam sempre muito por dizer!

=)

beijinho fofo**

Paulo Morais disse...

Os tempos foram evoluindo, e com a chegada da internet, a humanidade continuou a conversar por escrito, mas através de um teclado e de um ecrã...perdemos a sensibilidade da escrita, a beleza da caligrafia, o cheiro da tinta ou o suave toque de uma folha de papel.

Lembro-me de escrever imensas cartas, principamente nas férias da escola quando a distância se tornava em saudade...todos os dias de manhã descia a escada do meu prédio umas três vezes, sempre em busca do correio que me viesse endereçado...normalmente eram cartas da EDP, PT da EPAL e de um monte de outras siglas, que na altura não me passavam qualquer cartão, mas que agora me escrevem todos os finais de mês...uns queridos...nunca se esquecem...mas voltando ao que interessa...haviam sempre aquelas cartas mais especiais, comparo-as aos cromos das cadernetas de futebol, pois eram as que chegavam com menos frequência...eram o cromo mais dificil, todas as outras eram banais, relatavam o quotidiano dos amigos, o estado do tempo pelas estancias balneares...esse tipo de coisas...aquelas não...aquelas vinham perfumadas...traziam novidades de alguém que apesar de longe se encontrava sempre presente em mim, lia-as com um brilhozinho nos olhos enquanto o seu odor inundava toda a casa, apressadamente respondia...sempre na esperança que a minha velocidade de resposta tornasse o retono de noticias mais celere...lia-as e relia...ao ponto de que quando chegava nova carta já eu sabia a anterior de cor e saltedo...ainda hoje as tenho guardadas, não pelas palavras que que transcreviam...não pelo perfume que entretanto se perdeu...mas que continuo a ter presente, mas porque faz parte de um passado que gostei de viver....é como dizes no teu post anterior onde transcreves Shakespeare “ Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente” ...ele é dramaturgo...sabe tão bem como eu que dores como estas são boas de se viver!